Final do ano letivo: tempo de alegrias e saudades

Professores_Marcão

 

Olá, amigos professores! Eu gostaria, inicialmente, de agradecer os feedbacks do primeiro artigo publicado neste espaço. Realmente, eles foram importantes e ratificam a importância de criar um espaço para reflexão e diálogo entre os professores de Educação Física escolar.

 

Quase todas as instituições escolares deste país já encerraram, ou estão finalizando suas atividades nesta semana. Talvez pais, estudantes ou pessoas que exercem outras profissões desconheçam o mix de sentimentos pelos quais os professores são atingidos neste período. É sobre isso que eu gostaria de provocar algumas reflexões nos professores, e também compartilhar com os demais leitores o que está por trás nos bastidores deste momento.

 

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Ao final do ano letivo, uma pausa mais que merecida

Como qualquer atividade laboral, no advento das festas de fim de ano e a chegada das férias, um sentimento de alegria atinge todos os profissionais em questão. Isso também ocorre com os professores. Esse descanso merecido é essencial para revitalizar as energias e oxigenar o pensamento para que no próximo ano todos possam voltar com força total. O que é comum os professores escutarem neste período, de amigos e familiares próximos, são brincadeiras sobre as férias dos professores e sobre a atividade laboral docente. Uns falam: “Ah, queria ser professor para ter as férias que eles têm”; outros questionam: “Por que eles andam tão estressados?” Vejo que aqui algumas coisas podem ser esclarecidas.

O processo de ensino-aprendizagem e, sobretudo, o ato de educar crianças e adolescentes, exige um esforço enorme. Planejar aulas (que geralmente acontece no período que deveria ser de descanso do professor), executar atividades, organizar o espaço e cuidar do aprendizado de cada um dos 100, 200 ou 300 alunos que um professor possui ocasionam um desgaste físico considerável. Educar, que é uma das principais atividades exercidas por nós, exige conflito, correção de rota, cobrança, carinho, atenção, empatia e compaixão dos professores, e isso acarreta um grande desgaste psicológico.

Isso não serve para desaminar ninguém, sobretudo quem pretende cursar alguma licenciatura – gostaria de sublinhar que tudo isso é NORMAL. Somos totalmente conscientes das dificuldades e desafios de nossa profissão. E somos conscientes de que todas as profissões têm suas dificuldades. É por isso que a chegada das férias é celebrada pelos professores, e demais profissionais, como uma oportunidade de celebrar o que se passou, e realmente descansar e poder voltar um pouco seus olhos para sua própria pessoa, para seus familiares e amigos próximos.

Porém, uma das coisas mais fantásticas que acontece neste período, e me fazem cada vez mais querer continuar na profissão, são os sentimentos de tristeza e de saudades que acometem nossos corações. Engraçado, não? O processo começa com a última aula de Educação Física do ano com nossas turmas na escola. Lembro-me de, no último dia de aula, poder agradecer aos estudantes pelo ano letivo e de relembrar quantas coisas legais conseguimos realizar; poder enxergar a evolução e o desenvolvimento de cada um daqueles rostinhos. Assinar camisetas e receber abraços pelo período de convivência. E algumas lágrimas caíram ao me despedir daquelas turmas em que eu não iria mais lecionar. Seja porque vão se formar, seja porque no próximo ano vão continuar seu percurso escolar com outro professor. Nesse momento, você lembra de todos os anos de convivência, de vê-los crescer, de ver as pessoas em que estão se tornando, e fica agradecido por estar presente nesse período importante da formação desses sujeitos. E dependendo da faixa etária, provavelmente não conseguirão se lembrar de nós.

Além disso, acontece o esvaziamento gradativo dos estudantes nas escolas. No período de recuperações somente poucos estão presentes. Feitas as provas finais, ficam na escola somente os professores e os demais funcionários. Você entra naquele espaço das aulas de Educação Física, geralmente marcado por inúmeros gritos, risadas, barulho, bolas quicando, alunos correndo, outros tropeçando e inúmeros torcendo. Espaço de conflitos, de superações, de diálogo, sonhos e esperanças, aos poucos sendo silenciado, como o pôr do sol, que devagarinho vem trazendo o anoitecer. Os refletores da quadra são apagados, e se escuta apenas os passarinhos, e o barulho da grande porta de ferro correndo, e a chave virando. Ginásio fechado. Ano letivo encerrado. Nesse momento, você percebe que só tem graça ser professor de Educação Física, sendo professor, dando aulas, resolvendo brigas, motivando pessoas. Percebe que o ginásio só tem graça com barulho, com alegria, com movimento. Que a Educação Física é vida, e de que quando não há vida dentro da quadra, do pátio, ou da sala de aula, não há escola, não há educação. E aí bate a saudade. E que saudade.

E por que eu estou escrevendo estas coisas? Para tentar levar meus colegas professores a perceberem a estética que envolve ser professor, e talvez levar àqueles que não conhecem muito nossa profissão a compreender a magia por detrás do ato de dar aulas. Muitas coisas acontecem além do rolar a bola, e isso torna significativa nossa profissão. Que as pessoas possam compreender que ensinar e educar não são tarefas nada fáceis, e todo apoio é bem-vindo, mas para isso as pessoas precisam se preocupar com os professores. Conhecer sua profissão. Desejo a todos os professores que possam ter o merecido descanso, e assim como eu, que possam usar desse tempo livre para recarregar suas energias e preparar um 2018 muito melhor para nossos estudantes.

Professores, vocês são essenciais na construção de sujeitos melhores, na educação de inúmeras crianças e adolescentes. Que possamos permanecer na alegria de celebrar 2017, celebrar o Natal, o Ano Novo, etc., e também dar espaço para curtir a saudade dos nossos estudantes. Como é bom ter saudades de vocês (mesmo os que chutam a bola de vôlei), e como é bom ser professor!

Um grande abraço a todos.

[e-book] Plano de aula de Volei para alunos do 5º ano