A disciplina mais importante da Escola

Formado em 1972, tive o privilégio de trabalhar na área da Educação Física, tanto em escolas como em clubes esportivos, por mais de 50 anos. Sei muito bem o que essa disciplina ofereceu de influências positivas aos nossos alunos. Hoje, quando me encontro com eles, muitos já estão na terceira idade. Posso fazer esse feedback da importância que foram nossas aulas, pois eles sempre passam relatos das experiências que tiveram e como foram beneficiados na formação como seres humanos.

 

 

Iniciei os primeiros contatos com a Educação Física quando ainda cursava o segundo grau (hoje ensino médio) no Colégio Evangélico Augusto Pestana, em Ijuí, no Rio Grande do Sul. O diretor, um apaixonado por esportes, perguntou-me se eu gostaria de dar aulas para a 5ª série. Naquela época, não existiam ainda muitos professores formados nessa área. Aceitei a proposta imediatamente e tomei gosto pela profissão.

 

Dali em diante, resolvi fazer a faculdade para me tornar um profissional em Educação Física. Terminado o ensino médio, prestei o exame vestibular para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre/RS. Foram três anos fantásticos cheios de aprendizado. Tanto que, nos anos de curso, criamos amizades com as quais até hoje mantemos contato, inclusive por meio de um grupo de WhatsApp, “UFRGS 1972”. E assim, todo dia 10 de dezembro, dia de nossa formatura, nos reunimos para jantar, matar a saudade e recontar as histórias da daquela época maravilhosa. Lá se vão 48 anos de formatura…

 

Quando eu estava no segundo ano da faculdade, recebi um convite e, trabalhei no Colégio Sinodal, em São Leopoldo/RS. Em 1973, já formado, recebi uma proposta de trabalho em Chapecó/SC. Ofereceram-me emprego na Prefeitura Municipal, no Colégio Estadual e na Faculdade de Pedagogia, sendo que, além de tudo, poderia dar continuidade à minha carreira como atleta de voleibol e atletismo, duas modalidades pelas quais sempre fui um apaixonado. Meus alunos sempre foram motivados a praticá-las nas escolas onde trabalhei. E não foi nada fácil, na década de 1970, ensinar o voleibol em uma cidade em que o forte era o futebol.

 

Nesse período, as aulas eram calistênicas e esportivas, mas de grandes resultados. Formávamos equipes de atletismo, basquetebol, handebol e futsal, a fim de que participássemos de competições do município e região.

 

A motivação era enorme em função disso tudo. É claro, a maioria não tinha condições de jogar nas equipes da escola, mas nem por isso eram discriminados. Tive, já na época, diversos alunos com deficiência visual, ou mesmo com alguma deficiência física, que participavam de tudo que conseguiam.

 

Percebo, também pelos relatos de amigos professores da época, que procurávamos sempre dar o máximo em tudo que realizávamos. Sempre a ética e a disciplina eram os pilares das aulas. Sinto orgulho de ter mantido tal conduta em minha carreira educacional. Mas, com o tempo, as coisas foram mudando. Percebo que a concorrência com a tecnologia e as drogas começou a falar alto. Hoje está mais difícil dar aula para a geração atual. Os professores precisam manter o idealismo, como na nossa geração, da qual hoje todos são “setentões”.

 

Enfim, essas mudanças fazem com que os profissionais precisem estar constantemente criando e inovando para manter os alunos motivados.

 

Educação Fisica é o batimento cardíaco da Educação.

 

Professor Benhur Rosado Sperotto

 

Sobre o Professor Benhur Rosado Sperotto

Com mais de quatro décadas de carreira como educador físico, foi condecorado com o Título Emérito da Confederação Brasileira de Voleibol, em 2011. Disputou 15 Campeonatos Brasileiros e Ligas Nacionais. A participação em eventos internacionais iniciou nas Olimpíadas de Montreal, em 1976. Foi campeão sul-americano em Caracas, Lisboa e Buenos Aires. Como auxiliar técnico da Seleção Brasileira, disputou campeonatos em países como Iugoslávia, Estados Unidos e Japão. Coordenador do Projeto Evoluir, em Jaraguá do Sul. Recebeu a Ordem do Mérito Desportivo do Conselho Municipal de Desportos de Jaraguá do Sul em 2014;

 

Campeonatos Nacionais

 

Em campeonatos nacionais, foi Campeão brasileiro adulto 3º divisão 1979, Campeão brasileiro infantojuvenil 1981, Campeão Paulista 1996, Campeão brasileiro Liga Nacional pela Olimpikus 95/96, 3º lugar Liga Nacional 1996/97, Vice Campeão Brasileiro Liga Nacional 1997/98, Campeão Brasileiro Juvenil 2003 – Belo Horizonte MG.

 

Campeonatos e participações Internacionais

 

Internacionalmente atuou como Auxiliar técnico da seleção brasileira na universidade em Zágreb – Iugoslávia, foi Campeão sul americano juvenil em 1988 , em Caracas , Venezuela. Foi Auxiliar técnico da seleção brasileira no quadrangular, nos Estados Unidos, em 1988, em Seatle, Los Angeles. Foi Campeão do torneio entre países que falam a língua portuguesa em 1989, em Lisboa, Portugal. Foi também Auxiliar técnico da seleção brasileira nos Jogos Amistosos em Tóquio, em 1990. Foi Auxiliar Técnico da seleção brasileira no mundial do Rio de Janeiro 1990, no Brasil. Foi Auxiliar Técnico do Goodwill Games em 1990, em Seatle, nos Estados Unidos. Foi Campeão Sul Americano de Clubes em 1997, em Buenos Aires.

 

Participou das Olimpíadas de 1976, em Montreal, das Olimpíadas de 1980, em Moscou, fazendo parte da Comissão Técnica da seleção brasileira de voleibol que ficou conhecida como geração de prata. Participou do Mundial de voleibol de 1982, em Buenos Aires, Argentina, foi Coordenador das equipes de base de voleibol da Olimpikus de 1995 a 1997.

 


 

 

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